|
Entrevista concedida ao jornal "Comunicando" da Paróquia do Menino Jesus - Diocese de Taubaté SP
“Nas necessidades que são muitas, Deus chama”.
Pe. Arcemírio Leôncio de Carvalho nasceu em 03/12/55, em Potirendaba/SP. Ordenou-se sacerdote em 8 de janeiro de 1983, na cidade de Ipuã, Diocese de Barretos, por D. Antonio Maria Mucciolo. Trabalhou em paróquias de Suzano, Taubaté e Japurá.
Comunicando: Conte um pouco da História do Instituto Missionário São José Pe. Arcemírio: O Pe. Libânio, fundador do Instituto Missionário São José, IMSJ, era padre da Diocese de Jales. Iniciou seu trabalho com um grupo de quatro vocacionados, que moravam na casa paroquial em Potirendaba. O grupo cresceu tanto, que a garagem teve de virar dormitório. Nascia assim o IMSJ. Após 3 anos em Potirendaba o Instituto transferiu-se para a cidade de Morro Agudo e mais uma vez a casa paroquial se transformou em seminário. Em 1982 a sede do IMSJ transferiu-se para Taubaté com a acolhida do Bispo Diocesano, D. Antonio Afonso de Miranda. Também aqui não foi diferente: viemos morar nas salas de catequese da hoje, Paróquia Sagrada Família, enquanto a casa Missionária Pe. Chico era construída.
Comunicando: Por que o seminário veio para Taubaté? Pe. Arcemírio: Além da acolhida do Bispo, estabelecer-se em Taubaté foi providencial, pois aqui tínhamos os cursos de Filosofia e Teologia, que facilitava também na questão financeira, pois não precisaríamos percorrer grandes distâncias para os meninos freqüentarem a faculdade.
Comunicando: Quais as regiões de missão em que o IMSJ tem atuação? Pe. Arcemírio: Hoje temos paróquias em São Paulo, capital: Nossa Senhora da Livração e São José, esposo de Nossa Senhora; em Taubaté/SP: Menino Jesus e Sagrada Família; em São Bento do Sapucaí/SP: São Bento; no nordeste de Minas: Águas Formosas e Machacalis; em Mato Grosso: Aparecida do Taboado, Paranaíba, Pontes e Lacerda; no Paraná: Japurá; em Goiás: Pontalina e assumiremos no final de setembro, uma paróquia no Amazonas. A região amazônica é campo de forte apelo missionário, e o Instituto, sensível ao seu carisma e atento a um pedido do Bispo da região, envia um missionário.
Comunicando: Como aconteceu o seu chamado tendo em vista que o senhor não nasceu em família católica? Pe. Arcemírio: Eu nasci numa família em que todos os parentes são da Congregação Cristã do Brasil, e fui educado lá. Após meu batismo aos 12 anos, comecei a ver que não era bem aquilo o que eu queria, então me afastei da igreja. Claro que enfrentei a família toda: “onde já se viu abandonar a fé, você não vai ser salvo”. E fiquei uns 3 anos sem freqüentar. Lá era bastante exigente, eu não concordava com aquilo. Na escola eu escutava os professores e colegas conversando sobre PLC, encontro de jovens, ficava escutando as coisas bonitas que eles contavam. Também naquela ocasião missionários visitavam a escola e eu ficava vendo tudo isso. Daí surgiu vontade de passar para o catolicismo, mas ainda não sabia como. Em 1975 trabalhava num escritório de contabilidade e conheci um rapaz que ia sair de lá para entrar no seminário que o Pe. Libânio fundara. Em seu último dia de trabalho, pedi: diga ao padre que eu gostaria de me batizar, ser católico, o que preciso fazer? Após uma rápida preparação, fui batizado sem o conhecimento de minha família, durante o horário de serviço, para que não desconfiassem. Mas em 2 ou 3 dias a notícia se espalhou. Um mês após o batizado, Pe. Libânio me procurou, pedindo ajuda no cuidado dos seminaristas menores, cerca de 10 garotos, com idade entre 10 e 13 anos. Coloquei-me à disposição para cuidar deles. Com o tempo, passei a fazer as refeições com eles, e, posteriormente, a dormir no seminário. Aproveitei um dia em que meu pai não estava em casa, peguei minhas coisas e me mudei definitivamente. Vi de perto as necessidades do seminário e como eu poderia dar a minha contribuição; nascia aí o chamado ao sacerdócio.
Comunicando: Como acontece o processo de admissão ao IMSJ? Pe. Arcemírio: Em algumas regiões onde temos paróquia, os jovens, acompanhando o trabalho dos padres, já manifestam interesse em servir a Deus pelo sacerdócio. Ainda nas paróquias, os padres oferecem orientação, realizam encontros vocacionais e, com o tempo, se os jovens estão certos de sua vocação, são encaminhados ao seminário. De algumas regiões surgem mais vocações, como nordeste de Minas, Águas Formosas, Machacalis, Aparecida do Taboado, Paranaíba. Muitos entram em contato por e-mails, conhecendo o Instituto através do site. Mas hoje não existe um Pe. Libânio que pega o carro e vai até a praça convidar os jovens para conhecer o seminário. Ele não tinha vergonha e era muito determinado. Infelizmente não herdei isso do Pe. Libânio, era um trabalho e tanto.
Comunicando: Por fim, deixe uma mensagem missionária para os leitores do “Comunicando” Pe. Arcemírio: Como padre há mais de 25 anos, vindo de uma família não católica, descobri que realmente é essa a minha vocação. Realizo meu trabalho do melhor modo possível, mas ainda há muito a ser feito, tem muitas dioceses carentes de padres e de missionários. É um trabalho que vale a pena; há grandes desafios, mas temos muito retorno. O que Jesus fala no Evangelho que, ao servir, você ganhará o cêntuplo é verdade, pois se encontramos dificuldades por parte de alguns, na maioria a gente encontra gratidão e reconhecimento; nos sentimos valorizados por esse trabalho.
Por: Edwiges Moraes/ Luciana Izaura |
Louvor a Trindade
Por : Edilson Almeida de Sousa - 3º Filosofia
O Pai que nos ama, confia em nós, e quando nos chama, com seu recado, deixa nosso coração em chamas.
Depende de cada um de nós seguí-lo ou não. Mas o seu recado palpita forte e mexe com nossa emoção.
O Filho escolhe sem distinção.Para Ele precisamos apenas abrir o coração. Dele nos vêm o bem, a formação. É nossa tarefa viver de forma séria na ação.
O Espírito vêm e nos envia, mas é Ele mesmo nossa luz e guia. Nos acompanha nesta vida, nos desafios, nas dores e também nas alegrias.
Agradeço à Trindade por toda felicidade, pois até aqui vivi e aprendi, anunciei a verdade. À Trindade, minha vocação e liberdade.
Educar, formar e acompanhar
Por : Alessandro de Assis, msj – 2º Ano de Teologia
O ato de educar está ligado à capacidade de quem ama, quem ama educa para a vida;
Como um oleiro que modela um pouco de argila em suas mãos firmes e delicadas, desejando que o vaso ou a peça torna-se um precioso objeto, que cause admiração. Assim se deu na criação – o Criador revelado em sua criatura e não é que Ele sendo Deus nos fez sua imagem e semelhança.
O ato de formar está ligado à escola do amor, quem ama dá forma e não deforma; Jesus ao revelar-nos a Boa-Nova do Reino mostra-nos que Ele é o caminho que devemos seguir, o modelo do verdadeiro homem, homem que não se reserva, mas se revela. Iluminados pela vontade do Pai, chamados à vida e à santidade, cabe-nos segui-lo e deixar que Cristo nos forme, como fez aos seus amigos – “amar até doer” essa é a dinâmica daquele que forma para o verdadeiro amor.
O ato de acompanhar está ligado à disponibilidade do amor, e nosso acompanhante é o Espírito Santo, que sopra, quando e onde quer. Devemos ter a sensibilidade ao sopro e ao vento da vida, deste que é o hospede de nossa alma. O Espírito é antes de tudo aquele que nos anima e consola diante das realidades de sombra e de caos, estas são realidade existentes à todo ser humano, mais quem tem o Espírito Santo como acompanhante não perde o espetáculo da vida que é a comunhão do homem com a Trindade.
A ESPIRITUALIDADE DE
UMA VOCAÇÃO: UM DOM DE DEUS
“Mostra-me os teus caminhos, Javé,
ensina-me as tuas veredas...”
Salmo 25
O estudo da vocação faz saltar, em primeiro plano, a Providência de Deus. Faz ver que até os cabelos de nossa cabeça estão contados (Cf Mt 10,30).
Elemento importante no estudo da própria vocação é a pessoa dar valor a
si mesma, reconhecer os dons de Deus e verificar para que lhe foram
feitos gratuitamente estes dons. É interessante também termo em mente
que, ninguém nasceu porque quis nem como quis. Porém, reconhecer sempre
que somos um dom total de Deus.
Devemos saber planejar a nossa vida, sentindo, porém, com a experiência, que não somos nós que abrimos os nosso caminhos sozinhos. Os caminhos de Deus prevalecem sobre os caminhos do nosso planejamento.
Cabe a eu estar sempre consultando e auscultando estes pequenos sinais e estes fios condutores de minha vida. Estou certo de que sou conduzido por Deus, embora seja eu que ande.
Olhando os grandes vocacionados, vê-se mais claramente ainda que a picada no meio da mata é traçada por Deus e o vocacionado é quem faz o desmatamento para que o caminho apareça e seja viável.
O plano de Deus está traçado para você e a história já começou a traçar a cadeia de sucessos em que você vai entrar. Você já sondou qual é seu projeto dentro das possibilidades que Deus lhe deu?
É importante saber que, a gente vai aos poucos descobrindo, enxergando os próprios dons e faculdades; aos poucos, a gente vai descobrindo as profissões e missões; aos poucos a gente vai descobrindo as características da sociedade e o modo de os homens de comportarem. O que não pode acontecer é você desistir de sondar.
Partindo para o discernimento de uma pessoa para o sacerdócio, para a vida religiosa ou para o ministério religioso, torna-se extremamente importante ter em mente que essa vocação especifica é, primariamente, um chamado para a dedicação da vida ao serviço de Deus. Como tal, é muito diferente da simples decisão de escolher uma carreira em particular. Não é simplesmente um chamado para fazer algo, embora isso possa ser parte da resposta. O processo para discernir o chamado de uma pessoa é o esforço, tanto humano como divino, de escolher um estilo de vida que expresse melhor resposta com respeito ao amor e ao cuidado providencial de Deus. Como tal, nunca pode ser executado sozinho, visto que reclama pela interação de duas pessoas: a pessoa do vocacionado e a pessoa de Deus. Assim, o discernimento é algo inerente ao contexto do relacionamento pessoal com Deus.
A oração está no centro do relacionamento de uma pessoa com Deus. A oração nos coloca perante a realidade da presença orientadora de Deus em nossas vidas. A oração nos capacita a conhecer o outro através de um relacionamento dialógico.
Então, o discernimento não pode ser divorciado da oração, caso contrário não será legitimo. O discernimento não é algo que adquirimos através do simples aprendizado de métodos e técnicas, embora isso possa ser instrumento útil no processo de discernimento.
O discernimento é, em primeiro lugar, um dom que buscamos diariamente em oração. È através do coração que podemos aprender a ouvir a voz de Cristo, conhecer o seu tom; às vezes, podemos até saber o que ele vai dizer antes mesmo que o faça. O discernimento é um convite que surge a partir da amizade íntima e da união cm o Senhor. È dom que nos capacita a distinguir a orientação do Espírito Santo.
Portanto, quando alguém participa de um processo de discernimento deve, pelo menos, ter as sementes da fé dentro de si. Deve estar persuadido de que a oração fortalece e aprofunda os elos da amizade com Deus. Também deve crer que a oração e a fé dão objetivo e sentido a quem quer que se disponha a viver uma vida de dedicação e compromisso com o serviço de Deus.
Sem. Renato Marques da Silva, msj
2º ano de Teologia